segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Palavras com Ilha...


Pinta-me um quadro a que eu chame de meu, 
que retrate as ondas e o azul do céu.

Dá-me uma ilha perdida no mar.
Abraça-me de novo… lembra-me de sonhar.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Palavras com sentidos...

Sinto o cheiro da relva e descalço-me.
Pouso o livro e os pés sobre a terra molhada que me espera feliz.

Sorrio por ver-te passar, danças uma dança solitária que me acalma, fluis por entre a desconfiança de ser quem és. 

Começo a ler. Encontro-me nas entrelinhas dos livros todos, há muito que todos os livros sou eu, mesmo quando não percebo o que me dizem.

Distraio-me com as vozes dos outros, aqueles que não sabem respeitar o silêncio dos que estão, sou eu também a passar com companhia, hoje não, hoje estou só comigo, sorrio de novo, reconheço-me também no barulho dos outros.

Saboreio a sensação de não pertença a este lugar, sabe bem andar perdido em lugares que não são nossos. 

Olho-te nos olhos e percebo que choras, pensava que apenas conversavam e que mantinha a distância suficiente para não incomodar a vossa partilha. Preocupo-me com isso, em não interferir. Abraças o teu amigo, não percebo se são um casal que se despede e troca as últimas palavras, ou apenas dois homens crescidos que partilham emoções, sem medo de serem descobertos. Sorrio outra vez.

Volto ao livro. Volto a mim. "O Lobo das Estepes" também sou eu.

Ouço o vazio do rio, pousado inerte e despido da água, a chafurdar na lama. Sorrio.

Fecho o livro. Despeço-me da relva. Parto a sorrir. Danço para mim. Agradeço-me. Celebro-te. Sorrio.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Palavras com espera...


Espero-te aqui, onde o tempo não tem pressa e as horas não são nossas.

Espero-te aqui, onde o sono não descansa e as ondas não se cansam.

Espero-te aqui, onde os lamentos são murmúrios e as gargalhadas são canções.

Espero-te aqui, onde esperando não pergunto e encontro o que já sei.

Espero-te aqui.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Palavras com Mulher...


No leito do rio entregas a tua nudez, despojada do corpo, mas nunca da alma, nas vidas que carregas entregas o mais precioso dos tesouros, a tua essência, o teu cuidar... 
Não viras as costas a uma luta, sentes o cansaço, mas não entregas as armas.
A tua bandeira, o Amor, a tua força, as fraquezas que escondes... dos teus olhos brota o mar revolto e calmo, conhecedor das paixões humanas, desiquilibrado num equilibrio fecundo de prazeres e sonhos hipotecados. 
Renuncias às vestes que já não se servem do corpo, envelheces feliz, sabendo que nada te deteve, mesmo quando abdicaste de ti... O teu Amor é maior, a tua fé inabalável, ficas suspensa nas palpitações de quem está viva e se recusa a morrer... Adormeces na serenidade de ser Mulher e acordas imensa.

Para uma Mulher!


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Palavras com Aceitação...


Aceito. Não por ter de aceitar, ou porque me imponham que o faça, aceito porque o meu coração me pede. 
Aceito porque quem fomos ontem, já não somos hoje e porque te continuo a olhar como igual, igual a mim, com medos, fragilidades e força. Na minha força encontro-te a ti, ainda te encontro a ti, aquela que és, que foste e serás... 

Não me peças para aceitar a tua submissão a algo que não és tu. Aceito a tua tranquilidade como aceito a minha. Aceito as tuas escolhas como se de mim falasse... 
Aceito o teu amor e devolvo-te o meu, mesmo que seja em palavras que às vezes pareçam duras... Só não aceito que te renegues para um plano distante de ti, isso não me peças para aceitar... Acabarei por fazê-lo, deixarei o julgamento de lado, sei que sim, acabará por acontecer. Mas mais uma vez te digo, não me peças para aceitar a falta de liberdade, mesmo que essa seja a tua vontade, não me peças para aceitar a tua infelicidade, nem me peças para aceitar ver-te perder de ti, porque isso não vou aceitar, mesmo sabendo que um dia o farei. 

Aceito as tuas lágrimas, aceito a tua alegria, aceito as tuas inseguranças e incertezas e aceito a tua verdade, aceito a tua fragilidade e aceito a vida que escolheres, aceito as tuas conquistas e as tuas vitórias, como aceitarei as tuas perdas e as tuas quedas, foi e será sempre assim... Aceito os caminhos que traçares e mesmo quando te parecer que não estou a aceitar, não te esqueças de procurar dentro de ti, porque é aí que continuo a morar...

Amo-te muito minha irmã e isso não deixarei de fazer... Aceita!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Palavras com Primavera...

Há uma primavera dentro de mim, nela não se agarram as coisas, as coisas descolam-se e deslocam-se num ritmo intermitente de cheiros e de pólen, nela não cabem alergias nem nevralgias... 
Há uma primavera dentro de mim que me aquece e cresce e me impele a mudar...
Há uma primavera dentro de mim que dança na floresta que não quer ser visitada...
Há uma primavera dentro de mim que não me impede de ser feliz, é feita de impulsos alegres e contagia quem se acerca dela...
Há uma primavera dentro de mim que floresce nos cantos inóspitos da terra, fertiliza os meus recantos mais sombrios e desabrocha a cada amanhecer...
Há uma primavera dentro de mim, onde não há espaço para mais invernos...